A importância de ter alguém que acredita em você e nas suas potencialidades

20 de janeiro de 2026 às 20h57
Crônicas

“Carlos, você só não vai ser escritor, se não quiser”. Lembro de ouvir isso de uma professora minha do ensino médio, de uma escola pública do Governo do Estado de São Paulo, a professora Eliran Oliveira. Recordo que meus textos eram sempre elogiados pelos professores de língua portuguesa e fui me acostumando a receber somente bons comentários, sem muitas considerações sobre o que eu escrevia. Até que um dia, escrevi um texto para mandar para um concurso de redação e solicitaram para a professora Eliran corrigir. Lembro como se fosse hoje, eu estava em outra aula e ela pediu licença ao professor para falar comigo, fora da sala. Ela estava com meu texto todo riscado em vermelho. Eu tentei não entrar em pânico, tentei parecer que estava tudo bem e entender suas correções. Ela havia lido o texto com atenção e feito várias considerações e sugestões de como melhorar o texto. Eu fiquei muito feliz pela atenção que recebi da minha professora e dela estar muito interessada em me ajudar naquele trabalho de melhorar minha escrita. Acredito que, aquele dia, foi um dos dias que mais senti que alguém acreditava em mim e na minha escrita.

Alguns anos depois, surgiu a oportunidade de participar de um concurso de poemas do Estado e um amigo e eu falamos com a professora Eliran que queríamos participar. Ela prontamente aceitou o desafio de nos orientar para escrever o poema. Escrevemos, ela fez as sugestões e considerações e nós mandamos o texto. Para nossa alegria, o poema foi um dos vencedores do concurso e, por isso, foi selecionado para ser publicado em um livro com outros textos de alunos das escolas públicas do estado. Ganhamos também uma ida a Bienal com outros colegas da escola e uma tarde de autógrafos na Bienal. Foi um momento incrível mesmo! Eu fiquei muito feliz por receber o prêmio e por participar da Bienal. É impressionante ver como ter uma pessoa que acredita em você, como minha professora acreditou em mim, pode ter tanta potência.

No último ano do ensino médio, também me aventurava como blogueiro e era uma alegria escrever e ser lido pelos colegas de turma e pelas minhas professoras. A professora Eliran também tinha (e ainda tem) um blog maravilhoso, onde postava semanalmente. Eu corria para ler seus textos e comentar. Eu escrevia textos longos nos comentários e ela sempre me respondia, prontamente. Até hoje, recordo como foi importante ter alguém que lia meus textos no blog e comentava lá também. Era uma alegria sempre ler os comentários. 

Eu sempre lembro dessa parte da minha história com alegria e gratidão. Que alegria poder ter uma professora comprometida com a Educação. Lembro do dia em que a professora Eliran me entregou um texto do Rubem Alves, “A águia que (quase) virou galinha”. Esse texto me fez refletir muito do meu potencial e o quanto estava negligenciando minhas possibilidades. Hoje, escrevendo esse texto, sou grato e feliz por ter encontros como esse com a professora Eliran. Encontros que me moveram para acreditar no que ela me dizia: “Carlos, você só não vai ser escritor, se não quiser”.

E você? Tem alguma história com alguém que acreditou no seu potencial e que foi fundamental para seguir seus sonhos e desejos? Se quiser, conte aqui nos comentários.

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8 comentários em “A importância de ter alguém que acredita em você e nas suas potencialidades

  • Seus textos são inspiradores! Que incrível a professora ter lhe incentivado e participado da sua formação! Tive professores no ensino médio, antigo colegial, professor de biologia e outro de literatura, ambos achavam que pensava um pouco “estranho”. Na biologia eu questionava os ensaios/experimentos…”e se fizesse dessa outra forma teria qual resultado?”Na literatura, tentava entender o período histórico e entender o que o autor pensava, alem de (tentar) traduzir o sentimento humano universal no contexto!

    • Obrigado, Fabíola querida! Fiquei muito feliz de saber também da sua história com os professores de biologia e literatura. “Pensar um pouco ‘estranho'” como definiu me parece um modo muito particular de ser e de viver essa experiência de estudos, que foge dos lugares comuns e revela seu modo de ser e pensar. Parafraseando Adélia Prado, “Bendito seja, pensar um pouco estranho”, que a gente possa ser mais assim!

  • Caro Carlos, muito boa a sua escrita e o resgate de gratidão que faz com a sua querida professora. Parabéns! Fiquei pensando se ainda mantém contato com ela. Eu tive, sim, alguns, poucos, mas significativos professores, que muito me marcaram positivamente. Tanto que, ainda que poucos, foram capazes de despertar em mim um sentimento capaz de superar tantos outros que, infelizmente, foram indiferentes, ou mesmo despreparados. A partir desses bons, e muito humanos, é que sempre me inspirei para me fazer professor e acreditar na tendência ao crescimento de cada pessoa. Posso lembrar aqui dessas pessoas tão humanas: o primeiro foi quem me alfabetizou e facilitou, mais tarde, para que eu deixasse a vida rural e fosse estudar na cidade após a conclusão do 4º ano… Prof. Evaldo, já falecido, mas convivemos por bastante tempo e ele sempre se dizia orgulhoso de minha trajetória… Tenho ainda outra professora, dessa primeira, etapa, profª Teresa, felizmente viva, grande mestra! Do Colegial, hoje Ensino Médio, destaco duas grandes pessoas: profª Olga, de Desenho, já falecida, e prof. Ernane, de Português, felizmente ainda vivo, grande amigo de todos os seus alunos e muito querido. O que mais me marcou neles foi a amizade, o gostar de seus alunos, a relação pessoa-pessoa!

    • Caríssimo, Clovis! Muito obrigado por seu comentário e pela sua resposta atenciosa, como de costume quando te mando meus textos e considerações. Ainda mantenho contato com a professora Eliran sim. Há alguns anos tive a alegria de visitá-la em sua casa e também nos falamos por mensagem sempre. Ela me acompanha desde o ensino médio. Me acompanhou também no tempo de seminário, graduação em Psicologia e até atualmente. Fico muito feliz em saber das experiências marcantes com seus professores. Fico feliz que eles te inspiraram e até te ajudaram a superar algumas experiências não tão positivas. Que alegria que é ver sua gratidão aos professores Evaldo, Teresa, Olga e Ernane, penso que eles ficariam felizes em saber que você recorda deles com carinho. Confesso também que me inspiro em você em minha trajetória docente. Você sempre comprometido com uma educação crítica e buscando estar centrado nos alunos, também me motiva a estudar e fazer o melhor na minha prática como professor. Fico muito feliz também quando te vejo no meio dos alunos, sobretudo, nas cervejas filosóficas ou rodeado de alunos que te seguem até o carro, pois todos querem continuar aproveitando sua atenção e afeto. Obrigado também por seu compromisso com uma educação centrada na relação pessoa-pessoa e por sua incansável crença no potencial das pessoas, características que muito me inspiram.

  • Quanta emoção, querido Carlos! Tão bom relembrar esse nosso encontro e caminhada no seu último ano do Ensino Médio, sendo eu sua professora de LP e Literatura!
    Penso ser incompatível a tarefa de educar e não acreditar no educando(a) e nas suas potencialidades. Sem essa crença não há como ser professor(a), penso eu.
    Você, mesmo tendo uma escrita perfeita, ótimas notas em todas as disciplinas, muitos elogios, você não se acomodou, e se mostrou aberto ao processo de aprendizagem. Ouvia com atenção minhas observações e sugestões e estava sempre disposto a fazer e refazer seus textos e atividades. Sempre lindos os textos de sua autoria! Encantava com os seus avanços nos textos poéticos e dissertativos-argumentativos, por exemplo.
    Lembro-me com carinho dos concursos de redação, do “Prêmio Ser autor”, da bienal, dos blogs, dos saraus, leituras, etc.
    Penso que, nessa sua caminhada, quem contigo conviveu, sabe das suas potencialidades, dos seus múltiplos talentos, da sua empatia e do seu compromisso para com o ser humano e a sociedade…
    Voa!
    E, só pra ficar registrado, mais uma vez eu repito: Carlos, você só não vai ser escritor, se não quiser.
    Beijo da profª! Te amo! Deus abençoe!

    • Que alegria receber seu comentário, Lira!
      Também concordo contigo que, como professores, é imprescindível acreditar nas potencialidades do educando. É, de fato, uma crença fundamental.
      Agradeço também por recordar esses pontos da minha história e sou muito feliz por ter me disponibilizado a aprender mais contigo. Lembro sempre das revisões dos textos e do quanto fui melhorando na escrita e na forma de me comunicar com as palavras nas redações, postagens e poemas.
      Muito obrigado por seu carinho, de sempre! Voemos juntos, minha querida amiga e professora!
      E continuo a acreditar nas suas palavras quando diz: “Carlos, você só não vai ser escritor, se não quiser”. Por isso, me aventuro aqui nas crônicas e, parafraseando Drummond, “penetrando no mundo das palavras”.
      Te amo muito! Beijos e que Deus continue a abençoar sua vida e os seus!

  • Parabéns, Carlos! Pelo percurso que fez e continua a fazer, demonstrando uma grande humildade e habilidade em ser quem realmente é, a partir de um encontro entre professora/aluno, e aluno/professora numa interação fantástica e necessária que, deveria existir sempre com docentes e discentes. Uma valorização mútua e comprometida, onde quem ensina está atentamente ligada e observando o aprendiz e vice-versa, surgindo a partir dali um desfecho completamente desafiador, mas antes de tudo otimista, pois ser professora é amar, é se apaixonar pelo conhecimento, mas também pela profissão, e ser a aluno e almejar algo significado a apartir do encantamento do mundo que pode se iniciar nos muros da escola, mas que deve ir além das quatro paredes com voos seguros, certo de que tem em quem se inspirar, o “professor”, a professora Eliran.
    Quero dizer que eu a conheço, e não poderia deixar de falar que ela merece tal reconhecimento, e ao valorizá-la, você demonstra gratidão e, simultaneamente reconhece a importância de um bom professor/a, e soube ser um aluno exemplar.

    • Obrigado, Cau, pelo comentário cheio de afeto! Concordo contigo que esses encontros entre docentes e discentes deveriam sempre existir, pois nos transformam, nos tornando mais quem realmente somos.
      Fico feliz também que conheça a professora Eliran! Ela merece sim esse reconhecimento! Benditos sejam esses encontros que a vida nos proporciona. Agradeço por seu comentário e fico muito feliz em poder conversar contigo por meio dos meus textos e sentimentos. Você é sempre bem-vinda aqui. Abraço!

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